26 de Abril: Um Dia de Ação Afirmativa

Por Vereador Sílvio Humberto

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Aos vinte e seis dias do mês de abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal decretou, por unanimidade, a constitucionalidade das cotas raciais. Uma vitória do esforço do movimento negro brasileiro e do antirracismo, ações de convencimento coletivas e individuais, que precisam sempre ser reafirmadas e valorizadas.

Os vaticínios jornalísticos: racismo às avessas; que as cotas, seriam um erro…obsessão importada; (…)copiamos um mau modelo: o ‘racialismo’ (…) ou que haveria a queda na qualidade das universidades públicas etc… . O certo que isso não se verificou, mas também ainda não alcançamos o Nirvana e , certamente,infelizmente, será difícil chegarmos lá…vamos até reduzir, como estamos a fazer, as desigualdades raciais, porém, não finalizaremos o racismo, lembrando aqui os apreciadores de MMA. Isto porque estamos a lidar com um fenômeno multifacetado, mutante, mutagênico, complexo…que é o racismo. Fenômeno que estrutura poder, sobretudo, em sociedades herdeiras da escravidão de maioria negra como a brasileira, em particular, a baiana.

Em outras palavras, as ações afirmativas são passos necessários e importantes para uma era pós-racial , contudo não são suficientes. Vejamos, a título de exemplo, o aumento facilmente perceptível do número de jovens negros e negras nas universidades, destaque para o caráter pioneiro do Instituto Cultural Steve Biko desde 1992 promovendo ações afirmativas. O estudo do Gemma < impacto da lei 12771 sobre as universidades federais> apresenta conclusões bem elucidativas acerca dessa presença a partir de 2012. A universidade, de fato, tornou-se parte do projeto de vida e trabalho da população negra e pobre. Contudo, nesse período, aumentou exponencialmente a violência contra a juventude negra, os números são de um extermínio em curso. Segundo dados da SEPPIR, o homicídio é a principal causa mortis ente jovens de 15 a 29 anos, representado majoritariamente por negros e periféricos . Estaríamos diante de algo paradoxal? Isto é, ampliam-se as possibilidades de ascensão social por meio da Educação Superior proporcionada pelas ações afirmativas e, ao mesmo tempo, essa juventude torna-se crescentemente vulnerável, seja por inação do Estado, seja por sua ação, principalmente, do seu braço armado.

Portanto, malungos, não há nada de paradoxal se considerarmos o caráter estruturante do racismo e suas manifestações. Os corpos negros são os que não contam ou que contam menos, os corpos sob os quais a violência institucionalizada foi naturalizada. Caso contrário, é admitir que o fato de o negro ultrapassar a barreira da pobreza o torna menos “negro” , ou um “ ex-negro”!?, como se isso fosse possível! Sabemos que muitos tentam e tentarão …

Assim, especificamente para os malungos baianos que conhecem bem o refrão da música “é tudo nosso nada deles”, pelo visto, ainda falta muito para ser tudo nosso e de todo mundo, valorizemos as conquistas, não tenhamos pressa, mas não percamos tempo, já dizia Saramago, principalmente com as lutas fratricidas, mais solidariedade, mais participação ativa na vida da sociedade. Consciência negra não é questão de pigmentação de pele e sim uma atitude mental, lembra-nos Steve Biko. Juventude negra e não negra cotistas, desfrutem da sombra das árvores, mas continuem a semear porque como ensina Ki- Zerbo, “Se nos deitarmos estaremos mortos” bem mortos…não se enganem não há saídas individuais para finalizar o racismo. Dia 26 de abril, CELEBREMOS!!!!!

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