Reflexões sobre o 13 de maio nesses dias de golpe

Salve os pretos velhos e as pretas velhas!

Há 128 anos foi abolida formalmente a escravidão.  Graças à luta dos escravizados, gente livre, gente liberta, abolicionistas, abolicionistas de conveniência, a economia. As vésperas do 13 e alguns dias que se  seguiram levavam a crer que o complexo casa grande&senzala cairia e um novo amanhã nasceria para a Senzala. Este dia 14 amanheceu, desfez-se parte do complexo, mas isso não significou o  desaparecimento da casa grande. Seus moradores e comensais não só conseguiram mantê-la, evidentemente com algumas perdas, como também edificá-la rapidamente ao não garantir igualdade de oportunidades à Senzala, manteve-se e ampliou-se exponencialmente as hierarquias raciais e sociais herdadas da escravidão. E mais, sabemos, que a abolição tornou ilegal a condição de escravo, mas os ex-escravizados  permaneceram negros e negras bem como seus descendentes foram tornados negros. Você nasce um ser humano, o racismo lhe desumaniza e o torna negro e negra.

1505023_628443817217133_1691670840_nO que fizemos nos quatro cantos do mundo inteiro onde nos espalharam?  Ressignificamos o tornar- se negro para o Ser Negro. O negativo em positivo. O feio em Belo. Rompemos os grilhões, ainda restam muitos, da escravidão mental. SIM, nós podemos! Afirmamos, diariamente como ser humano na luta pela vida e cidadania plena. Por isso, irmã e irmão, velh@s malungos e nov@s malungos, estou certo e convicto que vamos impor mais uma derrota a casa grande. Vamos refletir juntos… Ao terminar a escravidão, a casa grande teve que paulatinamente desracializar os conflitos, edificando o mito da Democracia racial.  Afirmar cotidianamente que a cor não importava, somos uma grande mistura, a miscigenação da porteira para fora. Como já disse a miscigenação com hierarquias raciais e sociais, nessa ordem. E assim, passaram-se décadas, apesar de inúmeras denúncias de racismo e que a realidade não correspondia aos fatos. O tal racismo “cordial” brasileiro. Racismo é racismo.

As duas primeiras décadas do século XXI, a casa grande e seus comensais tiveram que lidar com a onda, quase um tsunami, das ações afirmativas. Reações diversas: perplexidade às ações judiciais. Salve movimento negro, Vitória incontestável no STF. Muitos negros e negras fora de ordem, resultado:  racismo aqui, ali, acolá,  real, virtual, gente preta simples, gente preta famosa. O racismo não tira férias.

O último lance, digo o lance mais recente, da luta pós-abolição, o dia 14 que nunca tem fim, o mais longo dos dias, foi a arquitetura do golpe em curso. Indo direto ao ponto, o que sustentou a narrativa do discurso contra o golpe em curso foi afirmar peremptoriamente a cor das elites e dos seus comensais. Racistas, machistas, fascistas não passarão! As elites tiveram que ir às ruas para defender seu quinhão… tiveram que sair do alpendre da casa grande e destilar todo seu incômodo e descontentamento com o andar de baixo.

Ontem, assistindo a posse do ministério dos golpistas e a estrutura, foi fácil constatar o fim da diversidade cultural, étnico-racial e de gênero enquanto política. Junção das pastas educação e cultura, extinção das secretarias de igualdade racial, das mulheres e da cidadania, ao ter sido fundida antes, com a presidenta Dilma II, facilitou a sua extinção. A cidadania também sumiu e vai virar caso de polícia com o fato de o ministro de justiça ser o secretário de segurança pública. Que retrocesso!

O resultado é que aos treze dias do mês de maio de 2016 temos a casa grande de volta, branca, recatada e do lar, diga-se de passagem, com o apoio de alguns “ex- senzaleiros”.

Lembrando o nosso  Poeta José Carlos Limeira “Se Palmares não existe mais, faremos Palmares de novo ” E aí vamos!

 

3 respostas em “Reflexões sobre o 13 de maio nesses dias de golpe

  1. Meu irmão, por certo que vamos ter que reinventar Palmares em cada canto deste Brasil… Só me entristece constatar que, de certo modo, será bem mais difícil hoje, pois muitos dos nossos já não têm mais vocação pra liberdade e estão cada vez mais se deixando levar pelo jogo da casa grande de hoje. Mas, vamos lá!
    Gostaria que tivéssemos muitos outros SILVIOS mais…

  2. Tenho orgulho de ter votado em Sílvio e vê-lo o tempo todo trazer as temáticas raciais para o seu dia a dia na política. Sempre quando alguém vem com aquela conversa de que “político é tudo igual”, eu digo não.

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