Vai sobrar para você, África!

Hoje se comemora, em todo o mundo, o Dia da África, data que simboliza a luta pela descolonização, o apoio global para os movimentos de libertação nacional e a busca pela unidade africana.

13241219_1070443363028066_3810979657461714080_nEm entrevista recente para a jornalista Mirian Leitão, o atual chanceler interino senador josé serra, afirmou que deve-se acabar com esse tratamento “infantil” que vem sendo dado pelos governos Lula e Dilma à África. Segundo ele, a África será tratada como adulta. O que isso significa mesmo para as relações Brasil- ÁFRICA?
Podemos de fato classificar o aumento da presença brasileira nas últimas décadas como uma política infantil? A realização da CIAD (a conferência de intelectuais da África e da Diáspora, em Salvador no ano de 2006) como parte dessa infantilização do continente africano?

A promulgação da Lei 10639/2003 que instituiu o ensino da historia da África e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares também como infantil? Os acordos de cooperação com África do Sul (Brics, Ibas)?

Essa “adultização” das relações Brasil-África possibilitará o fortalecimento dessas relações para um novo patamar que conduza, entre outras coisas, a uma maior participação dos afro-brasileiros, para além da concentração ao nível governamental e empresarial, no intercâmbio cultural, comercial e político? Ou se resumirá a fechar embaixadas e consulados, como já se anuncia, em nome da “eficiência” da gestão? Ou ainda, a visão estritamente comercial que não considera a dimensão imaterial dessas relações como elemento importante para o fortalecimento das relações econômicas.

E os africanos estão conscientes que eram tratados como crianças? E agora, terão um novo “salvador”, ou melhor, uma reedição de Tarzan, rei das selvas africanas, que decretará sua emancipação. Olhe, vocês não são coitadinhos. Vocês são adultos! Onde foi parar a tal autodeterminação dos povos?
Companheiras e companheiros, irmãos e irmãs, tenho sérias dúvidas que teremos um novo patamar acima dessas relações, se considerarmos que, no plano interno, o governo interino dos 22 homens brancos tem desconsiderado as políticas de igualdade racial e de gênero, incluindo a grave ameaça que paira sobre a demarcação das terras quilombolas e indígenas. Diante disso, nós afro-brasileiros, povo da periferia, defensores das diversidades como valor civilizatório… Tudo a temer, a possibilidade de RETROCESSO é real, Cuidemo-nos África e seus descendentes!

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