“Só querem ser negro na melhor época do ano”, diz vereador sobre apropriação cultural

O Carnaval é uma época em que todas as principais figuras são contempladas, inclusive os políticos também têm o seu espaço, tanto na curtição como também em trabalho. Quem também aproveitou para realizar seus compromissos e curtir à folia foi o vereador Silvio Humberto. Ele concedeu uma entrevista para o Varela Notícias, nesta última sexta-feira (24) e falou de diversos temas, inclusive sobre racismo e também sobre apropriação cultural.

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Foto: Varela Notícias

Quando foi questionado sobre a questão de Anitta usar dreads e ter sido criticada por algumas pessoas por uso de apropriação cultural, o político falou o seguinte: “Esse é um tema muito delicado e começou com a história da mulher com câncer que usou o turbante. É um tema complicado porque apesar de ser um caso de apropriação cultural , a gente também começa a se questionar o porquê da pessoa querer ser negro na melhor época, por que não quer ser negro nos outros 360 dias? Quais são as suas atitudes?”. Ainda sobre o mesmo tema ele completou: “Por um lado eu acho bom que se tenha essa apropriação cultural, pois valoriza a cultura do negro, porém o grande problema é que isso não aparece nos resultados, esse é o grande problema.”

Silvio Humberto também falou que muitas vezes a apropriação cultural também pode ser utilizada como uma fonte de racismo. “Estamos comemorando 30 anos da música “Faraó” e se você pesquisar, há pouco tempo atrás, muitos livros de história não falavam que o Egito (país onde existiam os faraós) ficava na África, ou seja, o europeu também se apropriou dessa cultura rica que é egípcia, muita gente  achava que o Egito ficava na Europa, ou seja, mais um exemplo de apropriação sem dar o devido reconhecimento.”, afirmou o psbista.

Ainda comentando sobre o racismo Silvio Humberto falou de maneira enfática sobre o tema. “Gosto muito de utilizar uma frase para falar sobre esse assunto. ‘O racismo não tira férias’. Se o racismo não tira férias durante o ano inteiro, porquê iria tirar férias logo no Carnaval, onde tem tanta gente. O racismo está ali onde o negro que sofre mais com a violência nesse período e também no resto do ano, como também no número de abordagens policiais que é muito maior em relação aos negros. No caso do negro, a camisa não é um acesso garantido aos camarotes, porque o segurança logo questiona onde a pessoa conseguiu a camisa. O que acontece no nosso cotidiano não iria tirar férias na festa da alegria. É só olhar o espaço dos cortejos afro, do Ilê Ayé, do Olodum, do Araketu, entre outros, você olha como é a distribuição do dinheiro… Isso está no cotidiano, não ia tirar férias no Carnaval.”, disse o vereador de Salvador.

Reprodução: Varela Notícias

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