Racismo: temos muito a caminhar

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Mais um flagrante de racismo ocorrido na Bahia. Mais um agressor detido pela prática de um crime inafiançável, para ser solto logo em seguida. O argumento usado pela defesa não deve ser tomado absolutamente como leviano. Atribuir a um agressor, em particular, ou a uma parcela considerável da população brasileira, o padecimento de um transtorno mental de natureza grave, não é de todo uma falácia.

Boa parte da população desse País parece, de fato, padecer desse transtorno. O racismo é uma chaga social que assola o Brasil. Que segrega, sabota e mata (literalmente) a potência desse País. O Brasil não será uma grande nação, enquanto insistir em inviabilizar a vida e a ascensão de mais da metade dos seus cidadãos.

Quando um racista deixa vazar em público, aquilo que carrega escondido na consciência, e que compartilha livremente nos seus círculos privados, ele está apenas a demonstrar, involuntariamente, o consciente coletivo dessa nação. Está a expor a lógica que determina o funcionamento das estruturas institucionais, que estabelece as ditas conquistas meritocráticas para uns, e o descaso e a morte para outros.

É preciso encarar isto. O racismo no Brasil, não apenas inviabiliza o direito à realização plena das pessoas. Ele também mata. E faz isso de formas recheadas de perversidade e cinismo. O descaso com os lugares desprestigiados, com a educação pública, com o acesso à saúde e à cultura são os elementos constituintes deste cenário. A conjunção destes fatores tem resultado em números alarmantes de mortes de um tipo específico de gente. Os índices apresentados, ano após ano, refutam qualquer argumento contrário.

O racismo é um fenômeno social que tem limitado, por séculos, o potencial criativo da nossa diversidade étnico-racial. Uma enorme vantagem competitiva em um mundo globalizado. Enfim, cá entre nós, uma enorme perda de tempo e de energia. Podemos ser mais e melhores.

Sílvio Humberto

*Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e vereador em Salvador

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