Depois da crise, mais poder para o povo!

BR-060, que liga Brasília a Goiânia

Não há como ser contrário à mobilização de trabalhadores, quando estes exercem o justo direito de reivindicar melhorias para a sua categoria. No caso da paralisação dos caminhoneiros, que ocorre neste momento por todo o País, precisamos nos atentar para a complexidade da situação e para o caráter descentralizado da mobilização. O governo ilegítimo de Michel Temer, que se mostrou tão hábil em golpear a Democracia brasileira, tem demonstrado total incapacidade de negociar com os trabalhadores e restabelecer a normalidade.

É evidente que entre os milhares de caminhoneiros parados nas estradas de todo o País há reivindicações comuns e também interesses conflitantes. Dentre os muitos pontos reclamados, pode-se destacar os reajustes nos preços dos combustíveis praticados pela Petrobras e os altos custos com pedágios, mesmo quando os veículos trafegam sem cargas. Tudo isso impacta diretamente na atividade da categoria.

Mesmo quando o assunto é apenas o preço dos combustíveis, há nuances que precisam ser observadas. Uma categoria com um número enorme de trabalhadores e representada, também, por uma grande quantidade de sindicatos e associações, obviamente, encontrará dificuldades para unificar uma pauta. Isso fica claro quando se vê trabalhadores defendendo a redução da tributação sobre os combustíveis, quando a grande vilã, na verdade, é a política de preços adotada pelo governo ilegítimo. As medidas penalizam a população e resultam de uma política econômica que não foi legitimada num processo eleitoral, e que tem como preocupação apenas os interesses dos agentes econômicos.

Outro aspecto complicado é a grave constatação, seja por falta de informação qualificada, ou pelo mero uso do movimento por grupos de interesses, da defesa de saídas para a crise por via de atalhos não democráticos. Não. O povo repudia qualquer manifestação que suscite como solução para a crise, o recurso a intervenções que não ocorram pela via da Política. Embora alguns pequenos grupos façam essa defesa, a população brasileira não quer, de modo algum, a intervenção de militares.

Sabemos todos, que o remédio para os problemas da Democracia é ainda mais Democracia. É mais transparência dos atos públicos, mais participação e envolvimento da população nos rumos do País.

A Política brasileira passa por um momento complexo. A nossa Democracia foi golpeada e tomada de assalto por um grupo que tenta se agarrar a esse poder, como única forma de garantir a imunidade para os seus crimes. Isso não pode ser traduzido em apoio a saídas autoritárias. Ao contrário, o caminho a ser seguido deve ser o de maior participação do povo nas decisões políticas.

Precisamos aproveitar o momento para nos juntarmos e fortalecermos ainda mais as nossas causas e o nosso poder. Precisamos de toda solidariedade da população brasileira para defender a Democracia e o nosso direito de decidir os rumos do País. Não podemos abrir mão dessa importante conquista e nem nos deixar seduzir por soluções e caminhos imediatistas.

Não queremos autoritarismo. Queremos mais poder ainda para o povo!

 

 

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