Professores celebram passagem dos 25 anos do I Senun 

Foto_Átila Oliveira

Organizadores do Seminário se reúnem para rememorar as mudanças conquistadas na universidade

Em tempos de patrulhamento da atividade dos professores e de debates sobre projetos como o ‘Escola sem Partido’, a Câmara Municipal de Salvador foi palco, na noite desta quinta-feira (22/11), de uma mesa completamente formada por professores militantes. Os acadêmicos estavam juntos, na Sessão Especial promovida pelo vereador Sílvio Humberto (PSB), para comemorar a passagem dos 25 anos da realização do I Seminário Nacional de Universitários Negros e Negras (Senun).

Após a exibição de um vídeo, com imagens do Seminário, realizado por jovens estudantes negros, no ano de 1993, na Universidade Federal da Bahia, o autor da homenagem, que também é professor, falou sobre a motivação do ato. “Foi uma enorme ousadia, problematizar a questão da inserção dos negros e negras no ensino superior, naquele momento onde a nossa presença era ainda muito pequena. A passagem desses 25 anos não poderia deixar de ser destacada”, justificou o parlamentar.

Para Sílvio, “a realização do Seminário foi uma prova inequívoca da capacidade de resistência do povo negro”. O legislador reforçou a afirmativa que tem defendido de que, “se há alguém que acha difícil o atual cenário, esquece de olhar o quanto mais difícil foi nessa época”. O professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Antônio Cosme Lima da Silva, reforçou as palavras de Sílvio, afirmando que a organização do Senun foi composta de jovens que não se conformavam com o modelo de universidade vigente na época.

Insurgência – “Éramos estes negros insurgentes”, declarou a socióloga e também professora da Uneb, Ana Cláudia Pacheco. Ela defendeu como um dos principais objetivos do Seminário: a politização dos jovens negros que ingressavam na universidade. “Para nós, não bastava o acesso. Era preciso qualificar a passagem destes estudantes, para que eles compreendessem a conjuntura na qual estavam inseridos e qual o papel deles na transformação do ensino superior”, pontuou Ana Cláudia.

Para o professor Ronaldo Barros, atual diretor do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão da Secretária de Cultura do Estado, “o Senun mudou a história da universidade brasileira, do movimento estudantil e do movimento negro”. Segundo ele, uma das lições extraídas foi a de que não bastava estudar e conseguir um emprego. “Tínhamos uma missão diuturna: descolonizar o ensino superior e transformar a universidade”, destacou Ronaldo.

Coube ao sociólogo Valdo Queiroz, a leitura de mensagens enviadas por organizadores do Senun, que não puderam estar presentes no ato. Valdo Lumumba, como é conhecido na militância social, finalizou, recitando versos da canção ‘14 de Maio’, de Jorge Portugal e Lazzo Matumbi. O tom artístico foi mantido, com performances da jovem bailarina, Ingrid Luz, e da cantora Matilde Charles, que encerrou o evento e brindou os presentes com a sua bela voz, entoando o Samba Enredo 2018, da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, ‘Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?’.

 

 

 

 

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