Vereador repudia pichação racista e homofóbica na Ufba

Sílvio Humberto - Foto_Valdemiro Lopes

Sílvio Humberto alerta para retrocesso e violência espalhada pelo país

A divulgação, esta semana, de uma pichação em um dos banheiros do prédio da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (EAUfba), no Vale do Canela, com afirmações racistas e ameaças contra homossexuais, negros e pobres, despertou a indignação do presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, vereador Sílvio Humberto (PSB). O parlamentar repudiou a atitude e, com base na vinculação da pichação a um dos candidatos da disputa presidencial, lamentou o caminho tomado por parte do eleitorado brasileiro.

“O Brasil passa, de fato, por um momento mais do que temeroso. Tudo começa com o mal-estar provocado pela mesquinharia das nossas elites econômicas, que não souberam conviver com a pequena ascensão social de parte da população”, destaca Sílvio. Para o legislador, o golpe aplicado na Democracia brasileira e a sucessão de ataques aos direitos dos trabalhadores e cidadãos, fazem parte da construção deste cenário, “que está descambando para esta situação de retrocesso e de violência espalhada pelo país”, pontua.

Foto_Reprodução_WhatsAppA Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior no Brasil (Andifes) publicou uma Nota de Repúdio, condenando o ato e repelindo a “cultura do ódio e da violência, que ora ameaça a sociedade e as universidades públicas, por meio de constrangimentos, ameaças e agressões”. A publicação foi endossada pela Direção da EAUfba e também pela Reitoria da Universidade. A nota destaca que, nenhum cidadão com responsabilidade pública tem o direito de “lavar as mãos e alegar neutralidade diante dessas ações, nem dos discursos eivados de violência que as suscitam”.

Sílvio Humberto chamou a atenção para a gravidade do momento que o Brasil atravessa, relembrando as notícias sobre casos de violência por todo o País. “São inúmeros casos que têm sido noticiados, com relatos de violência por toda parte. Aqui na Bahia, tivemos a mostra da brutalidade deste discurso de ódio, com o assassinato covarde do Mestre Moa do Katendê, um símbolo da cultura e da resistência negra”, lamentou o edil.

Fez-se justiça?

Lula-pena

Considero que a justiça não foi feita. Vivemos o tempo da politização da Justiça e da judicialização da Política. Isso se configura como um grave problema para a democracia representativa brasileira.

Quando se analisa a trajetória do julgamento, desde a primeira instância, constata-se a parcialidade do julgador e dos acusadores, e a seletividade das provas. Tudo isso, somado à curiosa e pouco comum celeridade do tramite jurídico, marcam este processo com características, no mínimo, questionáveis. O atropelo dos prazos e a sanha para decretar a prisão confirmam a tese da politização da Justiça. O acusado já entrou condenado.

Quando a presidente da Suprema Corte optou por não colocar em julgamento as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs), que discutem o tema de forma genérica, sem um réu específico, e sim o habeas corpus do ex-presidente Lula, ficou nítido que foi feita uma escolha e que a lógica que a determinou não foi exclusivamente técnica.

Colocam em julgamento o legado político e social do presidente Lula e, numa estratégia muito bem articulada pelas elites brasileiras, tentam afastar a possibilidade do seu retorno.

O objetivo é retirar do imaginário daqueles e daquelas do andar de baixo da pirâmide, os subalternizados, a perspectiva, a esperança e a possibilidade de crescimento econômico com distribuição de renda e justiça social.

O que temos no horizonte é luta e não vamos desistir. Afinal, como nos ensinou o filósofo e historiador Joseph Ki-Zerbo: “Se nos deitamos, estamos mortos”.

 

Sílvio Humberto

Doutor em Economia, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), vereador e presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador.